A Emocionante Jornada Capilar de Nica

Ser dona deste blog não tem dinheiro que pague, pessoal! Tenho conhecido pessoas e histórias emocionantes Brasil afora! É impressionante como as mulheres desse país sofrem com seus cabelos por simplesmente para seguir um padrão politicamente aceito pela sociedade: o liso!

Meu papel aqui não é falar de quem alisa suas madeixas ou usa as várias escovas que existem por aí. E sim, tentar fazer com que as nossas meninas reflitam o preço alto que se paga para manter uma imagem que não é a dela, para ter um cabelo que também não é o dela! Eu fiz parte disso um dia!

Todos os dias mulheres estão desesperadas em busca de solução para seus cabelos danificados pela maldita química, ainda bem que eu posso contribuir um pouquinho para que essa dura realidade mude e mais e mais meninas possam aceitar os seus cachos e aprender a amá-los! Essa é a minha luta aqui!

Começando muito bem esta semana maravilhosa, vamos conhecer a emocionante história da Nica. Eu conheci esta linda moça no fórum Encaracoladas e desde então, mantemos uma amizade bem bacana, sem contar que várias dicas da Nica me ajuram ao longo da minha caminhada.

A história dela me emocionou muito, pois só quem passou por coisa semelhante pode avaliar o quão sofrido é não saber cuidar do próprio cabelo e ficar refém de um círculo vicioso.

Eu tenho certeza de que vocês apreciarão essa história com final feliz! Vamos ler?

"Minha história de amor e ódio com os cabelos começou bem cedo. Desde pequena meu cabelo era uma questão. Minha mãe não sabia como lidar com ele, logo, a tarefa de penteá-lo foi delegada a minha madrinha.

Apesar dos poucos recursos e conhecimento limitado, ela fazia o que podia, com extrema paciência, para arrumar meu cabelo em mil penteados diferentes.

Devo ter começado a aplicar relaxamento no cabelo por volta dos 8 ou 9 anos. Sempre que começava com um relaxamento novo, os cabelos ficavam radiantes e a escova (que fazia semanalmente no salão) ficava mais lisa. Contudo, depois de alguns meses, o encanto acabava: os fios começavam a partir, a minguar, a desbotar e ficar com aspecto de queimado de sol. De todo o tempo em que utilizei químicas, meus cabelos nunca passaram dos ombros...

Na adolescência, depois de vários anos pulando de salão em salão, de química em química, meu cabelo estava deplorável. Quando a raiz começou a aparecer, os fios começaram a quebrar justamente no encontro da química com a parte virgem. A raiz superfofa, indefinida, embaraçada versus o comprimento fazendo jus à condição de “morto” do fio de cabelo: completamente opaco, queimado, esticado... Praticamente se desmanchando, só de manipulá-lo.


Aos 15 anos, após a minha terceira e derradeira “tentativa” de ficar quase careca, eu simplesmente cansei de gastar dinheiro, de gastar tempo me deslocando até o salão, dentro do salão, voltando para casa, de ter feridas terríveis no couro cabeludo que às vezes me impediam até de deitar a cabeça no travesseiro pra dormir. A partir desse momento, me recusei a fazer qualquer coisa que não fosse, garantidamente, dar certo.

Naquela época eu não tinha acesso a internet, então toda a informação que conseguia era através de revistas, da TV ou da indicação de conhecidos – ou seja, muito limitada. Devo ter ficados uns 4 ou 5 meses sem pisar em nenhum salão, andando de cabelo preso e cheia de vergonha, “cuidando” dele em casa, sozinha.

Uma bela noite eu estava assistindo um programa de entrevistas quando vi pela primeira a Luciana Mello. Eu nem lembro o que ela falou na entrevista, só sei que fiquei maravilhada pela imagem dela. Pude até me identificar fisicamente com ela pois nós, filhas de um casal interracial, tínhamos traços comuns (a cor da pele, a testa proeminente, o nariz mais largo). Vendo Luciana Mello na TV eu percebi que pra ser bonita não precisaria ter um cabelo liso – afinal, eu poderia ter tranças!
A busca por um salão que fizesse tranças soltas em meu cabelo durou mais ou menos um mês, e eu sempre usava a Luciana Mello com modelo. Dizia “eu quero fazer tranças, quem nem as da Luciana Mello”.

Finalmente, depois de achar o bendito salão e passar 15 horas sentada na cadeira, eu consegui realizar o desejo de ter um cabelão”! Saí do salão esgotada mas radiante com as minhas tranças batendo no meio das costas.

E assim se passaram os anos. 16, 17, 18, 19... Com tranças eu podia pular de salão em salão porque não me importava em variá-las... Uma vez fazia mais compridas, outra mais curtas, outra mais grossas, mais finas, coloridas, pretas, vermelhas, loiras... Eu achei que ia usar tranças pra sempre, porque elas eram ainda melhores que ter um cabelo liso: eu estava sempre pronta, sempre arrumada para qualquer ocasião. Não precisava ter “cuidados” diários – um xampu no fim da semana já dava conta do recado. Eu não saía de casa sem estar com tranças. Quando havia alguma festa, algum evento pra eu ir e eu não tinha refeito as tranças, eu simplesmente não ia. O dia de retirar e o dia de refazer as tranças eram os dois dias sagrados que aconteciam de 4 em 4 meses: eu não marcava nada pra esses dias porque minha vida parava só para fazer isso.

Lá pelos 21, 22 anos eu comecei a considerar tirar as tranças, depois de ver como meu cabelo havia crescido (já que eu não havia cortado nenhuma vez nesse tempo). As pontas com química simplesmente se foram, elas se desintegraram sozinhas e me deixaram com uma cabeça cheia de cabelo natural. Durante a retirada das minhas penúltimas tranças eu finalmente vi como meu cabelo era de verdade. E mesmo estando bem maltratado, quando molhado ele fazia cachinhos muito simpáticos! E foi aí que eu decidi que aquelas próximas tranças seriam as últimas.

Por sorte, o mesmo salão onde eu fazia tranças cuidava de cabelos afro, então pude ficar em boas mãos, sem pressão para alisar os fios novamente. Comecei a me identificar com o que eu realmente era, com as minhas raízes, com a minha origem. Mas o cabelo ainda não estava 100%. Por falta de tempo, acabei deixando de ir ao salão e passei novamente a cuidar sozinha dos cabelos. Mas dessa vez eu já estava mais preparada. Já era adulta e podia ir às lojas procurar por produtos voltados para o meu tipo de cabelo e experimentar os que eu achasse mais apropriados.

2008 foi o ano derradeiro: passei esse tempo pesquisando na internet forma de cuidar de um cabelo crespo. Minha cunhada me deu várias dicas de produtos profissionais, já que na época ela estava fazendo curso de cabeleireiro e me ajudou bastaaante... Conheci vários sites legais, como o da Teri La Flesh, fórum legais como o Afronatural e mais tarde o Encaracoladas, descobri o que era no poo, low poo, pesquisei sobre tipos de fios, tipos de cachos, estrutura dos fios, ciclos de crescimento, li blogs, vi vídeos, enfim...... Entendi porque meu cabelo era do jeito que era e que ele não poderia fazer algo que não foi feito pra fazer. Em outras palavras, descobri que eu não podia tratá-lo do jeito que eu queria que ele fosse, e sim do jeito que ele era. E foi nesse momento que fiz as pazes comigo mesma e com meu cabelo. E em outubro de 2008 meus cabelos viram uma tesoura pela última vez.

Após uma transição gradual para o low poo, em meados de 2009 já havia abolido completamente os sulfatos e os silicones “insolúveis”. Concomitantemente, apliquei as técnicas de estilização da Teri e seguia as dicas de produtos da minha cunhada, sempre dentro do low poo. E daí pra frente foi só alegria: meu cabelo respondia cada vez melhor.

Hoje em dia, com 27 anos de idade, há mais de 10 anos sem química e há uns 3 anos sem cortar, meu cabelo está do comprimento das tranças que costumava fazer. Está forte, bem tratado e com zero química, coisa que eu nunca consegui quando fazia relaxamento. Hoje eu posso dizer que adoro meu cabelo e não consigo mais me imaginar com ele de outra forma."












Viram que máximo? Que cachos não? Pois é! Vocês que estão brigando com a transição, continuem aí bem firmes porque aqui está mais uma prova de que vencer é possível!

Para melhorar ainda mais, a Nica está com um blog onde compartilha suas experiências e muitas informações bacanas a respeito dos nossos tipos de cabelo! Vale a pena dar uma conferida: o nome é Ame Seu Crespo!

Nica, eu agradeço imensamente por você ter aceitado meu convite e foi um prazer publicar sua jornada! Muitas meninas serão ajudadas através da tua experiência!

Muito sucesso a você e ao seu blog que com certeza vai bombar aqui na net! Até porque você é fera em conhecimento! Te admiro muito!

É isso ae genteeee! ;) Beijosssss!

0 comentários:

Postar um comentário

Obrigada por vir! Bjs.



Curta nossa fanpage!